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Planejamento de Carreira
A responsabilidade de um líder é altíssima em quaisquer condições de mercado. Na crise, então, a cobrança torna-se ainda mais intensa. Um estudo feito pela consultoria Robert Half mostra os principais deslizes a serem evitados dentro do ambiente de trabalho diante do atual cenário de incertezas econômicas.
"Os gestores desempenham um papel de extrema importância nas crises. Eles têm a meta de orientar e transmitir a confiança ao grupo de empregados de que os objetivos da companhia sejam cumpridos", diz Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half.
De acordo com ele, boa parte dos erros está relacionada à comunicação. "É preciso ter cuidado redobrado ao repassar informações para os funcionários. Uma falha nesse item pode ocasionar tensões no trabalho e comprometer o rendimento."
Diretor de Desenvolvimento de Negócios da consultoria Mercer, Marcelo Ferrari diz que o diálogo deve ser franco, com boas ou más notícias. "O gestor deve mostrar que as medidas tomadas são realmente necessárias."
PLANO DE METAS - Avaliar o impacto da crise e traçar um plano de metas são outros pontos fundamentais, desde que acompanhados das devidas atenções para não cometer falhas. "Essa prática envolve discussão com os demais integrantes da organização, que não apenas vão se sentir mais participativos como poderão auxiliar nas ideias construtivas", diz.
Embora seja uma tarefa complicada, os gestores têm de enxergar oportunidades na crise. "O perfil de liderança, mais do que em qualquer outro momento, é indispensável. Devemos ter faro para encontrar o caminho correto para as ações." Para o diretor, as incertezas estão sendo determinantes para testar a capacidade dos gestores. "Quem é bom se destaca."
Na prática, fugir do fantasma da crise com o mínimo possível de erros implica muita paciência e perseverança. "É difícil fazer as coisas acontecerem, mas não podemos agir com histeria. A melhor maneira para não errar é pensar para crescer, inovando com estratégias de médio e longo prazos. Imediatismo costuma trazer problemas", diz Rodrigo Del Claro, diretor de relacionamento da empresa de software, a Crivo.
Em vez de retrair os investimentos, Claro adotou uma tática de ataque frente ao mercado e conseguiu ampliar os rendimentos da empresa. "Aumentamos as premiações dos funcionários, melhoramos os prazos das campanhas e contratamos mais pessoas para atuar em novos departamentos, criados justamente para atender às necessidades do momento."
Ter coragem de assumir riscos é outra postura determinante, na opinião do administrador da MChecon, Marcelo Checon. "Investir na caça de novos clientes e reconquistar os antigos é o melhor caminho. Desse time também fazem parte os empregados. Desfalcar o elenco traz prejuízos e desestabiliza o grupo." Checon admite ter cometido algumas falhas nos meses mais intensos da crise. "Estivemos envolvidos com grandes negócios no fim do ano, mas optei por não investir pesado no marketing e na publicidade. Os concorrentes que arriscaram se saíram melhor."
Para suportar as pressões, contudo, é preciso ter momentos de descontração. "Se não desafogamos as tensões, o clima de pânico toma conta. Minhas melhores ideias não surgiram dentro da empresa, mas na piscina e no campo de futebol, enquanto relaxava", diz Del Claro. "Sempre estamos sujeitos aos erros, porém, nesta época de tensão eles podem se tornar mais perigosos. Temos uma grande responsabilidade, mas isso jamais mudará. Por isso, somos líderes."
O QUE NÃO FAZER
1. Culpar os superiores
Ao transmitir más notícias, pode se sentir inclinado a dizer aos funcionários que teria feito diferente e que a escolha não foi sua. Isso até pode aliviar a sua barra, mas aparenta pouca intimidade sua com os líderes da empresa. Em vez disso, apresente as mudanças e os motivos por trás delas.
2. Reduzir Autonomia
Em crises, algumas empresas recorrem a uma gestão mais autoritária, na esperança de aumentar o controle. Reduzir as colaborações e autonomia dos funcionários poderá produzir efeitos negativos.
3. Eliminar Incentivos
Cortar orçamentos não significa cortar prêmios. Incentivos de baixo ou nenhum custo podem ter ótimo impacto positivo: convites para um show, uma tarde de descanso, elogios durante uma reunião são formas baratas de mostrar satisfação.
4. Pensar no curto prazo
Se necessitar demitir alguém, pense bem e faça as demissões de uma única vez, o que minimiza a perda de estímulo associada à espera por futuros cortes por parte dos seus funcionários.
5. Ignorar os propósitos
Conheça quais são os maiores propósitos da sua empresa e certifique-se de que sua equipe também os conheça.
6. Não diferenciar o ''ocupado'' do ''produtivo''
Não julgue um funcionário pelo tempo que fica na empresa ou pelo volume de seus relatórios superdetalhados (o que geralmente é sinal de incompetência). Recompense as pessoas pela qualidade dos resultados de seu trabalho.
7. Provocar clima de medo
Faça com que os funcionários se sintam seguros para pedir ajuda com os projetos. Frequentemente, os membros mais confiáveis de sua equipe serão aqueles mais sobrecarregados e menos dispostos a falar sobre isso.
8. Reprimir as críticas
As perguntas mais difíceis precisam ser feitas. Valorize aqueles que levantem dúvidas e ofereçam soluções.
9. Temer novas ideias
Se as sugestões forem rejeitadas sem nenhuma real discussão, as pessoas deixarão de apresentá-las. Incentive-os a expressá-las e certifique-se de solicitar sugestões de pessoas de todos os níveis da empresa.
10. Esperar para ver
Adiar as decisões corporativas por muito tempo poderá custar caro quando resolver implementá-las. Se tiver uma boa ideia, não espere pela recuperação da economia.
11. Sacrificar a qualidade
Não permita que a qualidade seja afetada, pois criará um padrão inferior que será difícil de restabelecer quando a situação voltar ao normal.
12. Não pedir ajuda
Peça aos seus funcionários que pensem nas coisas que poderiam fazer para ajudar a alcançar as metas da empresa.
13. Ter informação insuficiente
Errar continuamente uma estratégia pode ser por falta de mais informações sobre as metas de seu projeto.
Fonte: Portal ZAP